A saúde física se conecta ao bem-estar psíquico

Profissional : Camila Ferro
  CRP : 06/106310

25/05 – DIA NACIONAL DA ADOÇÃO

Data criada em 1996 no I Encontro Nacional de Associações e Grupos de Apoio à Adoção, que aparentemente tem como finalidade promover reflexão e conscientização sobre o assunto, mas afinal o que é adotar?

Adotar, para o adulto, é oferecer à criança convívio familiar, afeto, amor, aquilo que lhe é de direto, mas que nem sempre elas podem ter ou usufruir como deveriam e gostariam; e à criança é oferecer ao adulto o retorno deste vínculo, a retribuição deste afeto e amor, é ensinar com quem se aprende, é troca, é vida.

Mas por que é tão complicado adotar? Por que demora tanto? Por que os Serviços de Acolhimento estão cheios de crianças e a lista de espera para adoção nas Varas da Infância e Juventude são tão grandes?

Porque a criança geralmente não está sozinha, é preciso estudar sua família, o motivo de seu acolhimento, a estrutura que os pais/responsáveis possuem para se recuperar de uma situação difícil e a vontade e energia que eles investem para recuperar a guarda deste filho, é preciso pensar na rede familiar, nos vínculos existentes, é preciso testar/tentar as possibilidades antes de judicialmente ser definido que aquela criança está disponível para uma adoção. Sim, muitas vezes isso demora, a criança sofre com a burocracia, cresce em instituições e tem o processo de adoção dificultado, pois a adoção tardia não é o típico em nosso país.

E o que seria típico então?

Geralmente as varas da infância são procuradas por pessoas que possuem dificuldades para ter um filho biológico e buscam o cadastro afim de preencher esse espaço, é necessário analisar o real interesse do adotante, o quão quer fazer isso e porquê, se o quer pensando apenas nele ou no contexto geral, incluindo os interesses da criança.

As pessoas passam por avaliação de uma equipe técnica com psicólogos e assistente sociais, participam de reuniões, preenchem formulários e na maioria desses caracteriza a criança que deseja, geralmente branca, cabelos lisos, de até um ano; pois existem fantasias em relação a essa criança, além de muitas vezes se acreditar que as maiores são mais difíceis de criar, educar, darão mais trabalho, pois já terão certos conceitos formados, fora que talvez não os sinta como seus se não estiverem juntos desde a primeira infância.

O que faz com que a lista de adotantes continue tão grande quanto o número de crianças e adolescentes a partir dos seis anos em serviços de acolhimento que estão destituídos do poder familiar, esperando um dia ter seu direito ao convívio familiar cumprido; o que em muitos casos ocorre como forma de adoção internacional, pois observa-se que em países estrangeiros a adoção tardia sem distinção de raças é mais comum, do que em nosso próprio país, que fala tanto em igualdade na teoria, mas não consegue se colocar assim na prática.

Apesar do lado complica(do(r) do processo de adoção, também existe o lado mágico e emocionante dos casos de sucesso; dos quais posso falar com precisão, pois por experiência na área, já senti a gratificação e emoção de fazer parte desses processos, de observar o primeiro contato entre os adotantes e a criança e a atração mutua e inexplicável desses. Da proximidade dada aos poucos sem a intenção de adoção, que se transformou em um caso de sucesso de adoção tardia de irmãos que após anos institucionalizados já perdiam a esperança e hoje, são parte de um núcleo familiar consistente capaz de lhes oferecer mais do que aquilo que lhes é de direito. E do progresso destas crianças e adolescentes que muitas vezes chegam até os serviços sem brilho no olhar e aos poucos recebem de volta a vida.

Não é à toa que existe essa data, ela está aqui para nos mostrar que existem questões a serem pensadas e trabalhadas por todos sobre o assunto, ela está aqui para apontar que temos problemas sociais que estão diretamente ligados aos pontos que chegam até a adoção, ela está aqui para nos fazer pensar sobre o acolhimento, não só a causa, mas também a ação.

Podemos oferecer à diversas crianças e adolescentes a recuperação deste direito violado, podemos possibilitar isso proporcionando a elas o convívio familiar, o amor e afeto necessários para a construção e definição de sua personalidade e podemos fazer isso de diversas formas. Se informe, busque orientações, doe amor e elas receberão vida.

Camila Ferro

Psicóloga – CRP:06/106310

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