A saúde física se conecta ao bem-estar psíquico

Profissional : Camila Ferro
  CRP : 06/106310

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CRISES, uma ilustração: Estresse, Ansiedade, Pânico e Depressão

Ano de vestibular, maratona de estudos, rotina corrida e um certo dia depois do banho ela percebe que seus cabelos estão caindo mais do que o normal, só que anda sem tempo para pensar nisso, pois precisa focar nos livros de biologia, química e física, mas quanto mais faz isso, mais desconcentrada se sente, a cabeça começa a doer, a rotina de estudos fica bagunçada e ela anda impaciente com o mundo, porém continua em frente, pois tudo que precisa naquele momento é se esforçar ao máximo para conseguir realizar o sonho de seus pais, de ter uma médica na família; o que a deixa cada vez mais tensa e a faz visitar, quase que toda semana, um hospital tendo crises de enxaqueca, gripe e até um começo de pneumonia… Sim, para ela, este ano está bem estressante.

Então, ele acorda depois de uma noite quase não dormida, pensamento acelerado, corre para não se atrasar, teme não dar tempo de pegar o ônibus das 6:35, engole o café, sai vestindo a gravata e esquece o celular. No caminho faz um check list mental das coisas que precisa fazer durante o dia, das pendências do trabalho, as contas da casa que precisa pagar, as crianças que precisa buscar na escola e a leitura que precisa fazer após o jantar … e descobre, que esqueceu o celular em casa, então o pensamento muda e bate um leve desespero, pois se acontecer algo ruim na família e precisarem falar com ele, não conseguirão, e se o Junior passar mal durante a educação física, a Ana se machucar na escolinha, ou a Julia decida que queira nascer de 7 meses? Ahhh o coração já acelera, a respiração fica ofegante, mas tenta mudar os pensamentos para se sentir melhor e volta a pensar nas pendências do trabalho, que se não der conta pode perder o emprego e no meio da crise não conseguirá outro tão rápido, então desce correndo do ônibus e chega ao escritório ofegante, transpirando em um dia frio de inverno e exausto como se já tivesse trabalhado o dia todo.

O filho está abatido, com febre, um pouco de tosse, toma remédio mas não melhora, a mãe tenta se manter calma mas isso foge ao seu controle, a preocupação e o medo do pior são tão grandes que ela perde os sentidos, a cabeça fica zonza, as pernas bambas e de repente uma dor no peito incontrolável, acompanhada de uma falta de ar intensa e de um pensamento único: eu vou morrer! Pensamento que piora os sintomas, causa descontrole, dor intensa, agonia, e se transforma em um medo avassalador que a imobiliza, enquanto do nada a febre baixa e criança volta a sorrir.

Viúva, com quase 60, último filho acabou de sair de casa, sempre muito ativa viveu grandes emoções, começou a ganhar peso, mas não se preocupou muito, seu clínico a encaminhou para uma avaliação com o endocrinologista, mas ela não foi, não tinha ânimo para sair de casa e cada vez menos para se cuidar. Sozinha, naquela casa fria, seu hobby era ficar de robe e dormir o máximo possível, apática, já não ligava mais para os almoços e festas em família, se sentia cada vez mais sozinha, mas com cada vez menos vontade de socializar, entre taças de vinho um vazio intenso no peito e pensamentos persecutórios de culpa e depredação, já não via sentido em seus dias e numa noite qualquer resolveu tomar algo um pouco mais forte para relaxar.

 

 

 

Camila Ferro

Psicóloga – CRP 06/106310

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Contra a cultura da desvalorização dos Direitos Humanos

Vulcanismo é um conjunto de processos geológicos que acontecem do interior para a superfície da Terra, pelo derramamento de magma, gases e fumaça expelidos por um vulcão; deste modo, pode-se dizer que, vivemos dentro deste processo, que por meio de mobilizações internas, desperta vulcões adormecidos e os faz entrar em erupção.

Analogia simples para compreender a força interna de nossas mobilizações inconscientes quanto indivíduo, mas que transporto para, também, nosso entendimento quanto sociedade. Estamos vivendo momentos onde a tensão social é tão forte, que nosso vulcão despertou, está expelindo gases e fumaça, e parece não termos mais o que fazer, pois está prestes a explodir; e já podemos ver os traços de suas futuras devastações.

Devastações estas, que envolvem: corrupção ativa, corrupção passiva, presos soltos, soltos presos, filhos que matam pais, pais que matam filhos, pobres que tiram dos ricos, ricos que tiram dos pobres, homens que abusam de mulheres, mulheres que abusam de homens, idosos que maltratam crianças, crianças que andam armadas, policiais que matam inocentes, inocentes que se tornam culpados, culpados que se tornam vítimas, vítimas que sofrem estupro coletivo, o coletivo que não tem casa para morar, a casa que é invadida, o terreno que é delimitado pelo tráfico, o tráfico aliciando menores, menores matando por drogas, drogas contrabandeadas com a facilitação da polícia, polícia sem defesa, defesa sem recursos, recursos naturais desmoronando barrancos, barrancos destruindo barracos, pessoas sem teto, tetos sem escolas, escolas sem alunos, alunos sem médicos, médicos sem fronteira, hospitais explodindo, igrejas pecando, religiosos se matando…

Formou-se um círculo vicioso, complexo, que uniu o começo com o fim e sim, parece impossível cortar sua raiz, pequenos tremores são alertas, sinais de que as mobilizações internas não aguentam a pressão e de que a erupção pode ser pior do que os sintomas indicam. Não basta olharmos os problemas como únicos, enquanto não houver uma preocupação e visão do todo em todos, continuaremos desvalorizando nosso maior bem, a vida; a minha, a sua, a dele, a nossa.

 

*Imagem: vulcão da Ilha de Santorini – Grécia.

 

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Mais amor, menos açúcar!

Sexta-Feira dia de pizza, sábado pastel, domingo almoço em família, geralmente uma massa ou um churrasco com bastante gordura, de sobremesa um pudim ou sorvete com chocolate, no intervalo tem o aniversário da priminha recheado de doces e frituras, aí vem as festividades de final de ano, dia das mães, festa junina, dia dos pais, dias das crianças, feriados no sítio, passeios no parque e cinema com pipoca, fast food e mais sorvete e chocolate, fora as outras milhares de festas de aniversário e comemorações diversas que surgem durante os 365 dias de cada ano.

Sim, temos a cultura de (comer)morarmos datas e apreciarmos ocasiões sempre com o acompanhamento de algum prato que combine e, deste modo, algumas crianças passam a associar bons momentos ao prazer de comer ou o contrário, porque nem sempre almoçar naquele tio é agradável, o que também pode ser compensado por esse meio de satisfação; e concordamos que é até bonitinho, aos pequenos, serem gordinhos e chega a ser gostoso vê-los se sujando por inteiro ao saborear um chocolate, mas ao apresentá-los a esse mundo doce, podemos, na verdade, os estar condenando.

Sabemos que a obesidade, de um modo geral, tem várias causas e pode estar associada a questões genéticas, fisiológicas, psicológicas, hormonais, sociais e que embora não seja considerada um transtorno mental, é sim uma doença que pode inclusive levar e/ou agravar outras doenças. Contudo, quando se fala em obesidade infantil o assunto torna-se ainda mais complicado, pois a criança, embora esteja muito mais precoce em termos de desenvolvimento, não tem maturidade para tomar as próprias decisões, fazendo com que os adultos sejam responsáveis por orientá-las e auxiliá-las, naquilo que pode ser considerado o mais adequado.

Deste modo, também somos exemplo, pois a criança pode ser influenciada pela alimentação da mãe desde a gestação e após nascer suas referências se tornam seus modelos, então não adianta colocarmos as crianças em dietas, restringindo-as de certos alimentos, se o pai só come bacon com batata frita e a mãe é viciada em sorvete com calda de chocolate. É necessário educá-la e não simplesmente proibi-la, pois restrições rigorosas podem promover comportamentos compulsivos ou episódios abusivos, assim como compensações; trocar a falta de atenção e tempo junto ao filho por lanches e doces, pode até preencher o estômago dele, mas nunca seus afetos; porém ele não sabe disso e, muitas vezes, correrá o risco de continuar comendo na tentativa de preenchê-los.

Muitas questões podem ser pensadas sobre o assunto, mas quando se trata de crianças o foco deve, de fato, estar nas pessoas que a cercam, um trabalho conjunto (família) e multidisciplinar (profissionais) pode ser fundamental, principalmente, em relação à crianças que já apresentam um quadro de sobrepeso, pois enquanto não estivermos com elas, enquanto acharmos bonito, enquanto não pensarmos no futuro delas, sem fantasiar que na adolescência irão crescer e isso irá mudar naturalmente; continuaremos formando crianças obesas, nível I, II, III, que se não forem cuidadas terão um complicado caminho até a fase adulta, se de fato, chegarem até lá, já que a obesidade é a segunda principal causa de mortes no mundo.

Amor não é açúcar, quem ama cuida, educa, e apesar de difícil diz não. Hoje, pode ser que eles não entendam, mas um dia irão agradecer!

 

03/06 – Dia da Conscientização Contra a Obesidade Mórbida Infantil

 

*Imagem ilustrativa do filme A Fantástica Fábrica de Chocolates 2005, personagem Augustus Gloop

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Vamos falar da nossa T(d)PM

Amiga, senta aqui, vamos falar da nossa T(d)PM!

Não, não é frescura, muitas mulheres realmente sofrem psíquica e fisicamente durante o período que antecede a menstruação e segundo o Manual Diagnóstico e Estatístico de Doenças Mentais, isso tem nome e pode afetar, em um período de 12 meses, cerca de 1,8 a 5,8% das mulheres que menstruam.

O Transtorno Disfórico Pré-menstrual, como é denominado, possui sintomas que se fazem presentes, apenas, durante o período que antecede a menstruação e melhoram gradativamente até seu término, sendo alguns deles: mudanças de humor, sensibilidade aumentada, irritabilidade, humor deprimido acentuado, sentimentos de desesperança, ansiedade acentuada, sentimos de estar nervosa ou no limite, dificuldade de se concentrar, desinteresse pelas atividades habituais, fadiga, alterações de apetite, insônia, entre outros.

Observe, por pelo menos dois meses, se ao menos cinco dos sintomas supracitados antecedem seu período menstrual e se preciso procure um profissional para orientá-la e auxiliá-la em possíveis tratamentos, porque não, não é frescura e nós mulheres não precisamos sofrer, já que tais sintomas além de mal-estar físico e psíquico, podem, também, nos acarretar prejuízos sociais

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25/05 – DIA NACIONAL DA ADOÇÃO

Data criada em 1996 no I Encontro Nacional de Associações e Grupos de Apoio à Adoção, que aparentemente tem como finalidade promover reflexão e conscientização sobre o assunto, mas afinal o que é adotar?

Adotar, para o adulto, é oferecer à criança convívio familiar, afeto, amor, aquilo que lhe é de direto, mas que nem sempre elas podem ter ou usufruir como deveriam e gostariam; e à criança é oferecer ao adulto o retorno deste vínculo, a retribuição deste afeto e amor, é ensinar com quem se aprende, é troca, é vida.

Mas por que é tão complicado adotar? Por que demora tanto? Por que os Serviços de Acolhimento estão cheios de crianças e a lista de espera para adoção nas Varas da Infância e Juventude são tão grandes?

Porque a criança geralmente não está sozinha, é preciso estudar sua família, o motivo de seu acolhimento, a estrutura que os pais/responsáveis possuem para se recuperar de uma situação difícil e a vontade e energia que eles investem para recuperar a guarda deste filho, é preciso pensar na rede familiar, nos vínculos existentes, é preciso testar/tentar as possibilidades antes de judicialmente ser definido que aquela criança está disponível para uma adoção. Sim, muitas vezes isso demora, a criança sofre com a burocracia, cresce em instituições e tem o processo de adoção dificultado, pois a adoção tardia não é o típico em nosso país.

E o que seria típico então?

Geralmente as varas da infância são procuradas por pessoas que possuem dificuldades para ter um filho biológico e buscam o cadastro afim de preencher esse espaço, é necessário analisar o real interesse do adotante, o quão quer fazer isso e porquê, se o quer pensando apenas nele ou no contexto geral, incluindo os interesses da criança.

As pessoas passam por avaliação de uma equipe técnica com psicólogos e assistente sociais, participam de reuniões, preenchem formulários e na maioria desses caracteriza a criança que deseja, geralmente branca, cabelos lisos, de até um ano; pois existem fantasias em relação a essa criança, além de muitas vezes se acreditar que as maiores são mais difíceis de criar, educar, darão mais trabalho, pois já terão certos conceitos formados, fora que talvez não os sinta como seus se não estiverem juntos desde a primeira infância.

O que faz com que a lista de adotantes continue tão grande quanto o número de crianças e adolescentes a partir dos seis anos em serviços de acolhimento que estão destituídos do poder familiar, esperando um dia ter seu direito ao convívio familiar cumprido; o que em muitos casos ocorre como forma de adoção internacional, pois observa-se que em países estrangeiros a adoção tardia sem distinção de raças é mais comum, do que em nosso próprio país, que fala tanto em igualdade na teoria, mas não consegue se colocar assim na prática.

Apesar do lado complica(do(r) do processo de adoção, também existe o lado mágico e emocionante dos casos de sucesso; dos quais posso falar com precisão, pois por experiência na área, já senti a gratificação e emoção de fazer parte desses processos, de observar o primeiro contato entre os adotantes e a criança e a atração mutua e inexplicável desses. Da proximidade dada aos poucos sem a intenção de adoção, que se transformou em um caso de sucesso de adoção tardia de irmãos que após anos institucionalizados já perdiam a esperança e hoje, são parte de um núcleo familiar consistente capaz de lhes oferecer mais do que aquilo que lhes é de direito. E do progresso destas crianças e adolescentes que muitas vezes chegam até os serviços sem brilho no olhar e aos poucos recebem de volta a vida.

Não é à toa que existe essa data, ela está aqui para nos mostrar que existem questões a serem pensadas e trabalhadas por todos sobre o assunto, ela está aqui para apontar que temos problemas sociais que estão diretamente ligados aos pontos que chegam até a adoção, ela está aqui para nos fazer pensar sobre o acolhimento, não só a causa, mas também a ação.

Podemos oferecer à diversas crianças e adolescentes a recuperação deste direito violado, podemos possibilitar isso proporcionando a elas o convívio familiar, o amor e afeto necessários para a construção e definição de sua personalidade e podemos fazer isso de diversas formas. Se informe, busque orientações, doe amor e elas receberão vida.

Camila Ferro

Psicóloga – CRP:06/106310

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Quem nasceu primeiro, o imediatismo ou a internet?

Sabemos que a internet e a tecnologia, no geral, são reflexos daquilo que produzimos, foi criada por nós, a partir de nossas demandas, necessidades e continuará evoluindo de modo a tentar facilitar, em todos os aspectos, nossas vidas.

As pessoas parecem, cada vez mais, buscar otimizar tempo nas coisas práticas do dia-a-dia, para tentar desfrutar o que resta dele com coisas mais prazerosas e deste modo a internet surge como um facilitador, pois de forma simples e imediata podemos fazer compras, resolver pendências bancárias, fazer inscrições, realizar reuniões de negócio, atendimentos, cursos, manter contato com a família e amigos de qualquer lugar sem precisar se deslocar, pegar trânsito ou enfrentar filas; contudo esse facilitador também pode ser um complicador social e ocasionando ou proporcionando um uso de forma abusiva, mecânica e dependente.

Ultimamente estamos cada vez mais fechadas ao convívio e contato real, todos andam pelas calçadas com a cabeça baixa digitando mensagens ou lendo e-mails em seus celulares e dificilmente reparam aos que passam a sua volta e podemos estar perdendo a oportunidade de conhecermos pessoas incríveis por isso, pois aparentemente tem se tornado muito mais fácil interagir com “softwares” do que com o outro em pessoa.

Estamos, de alguma forma, conectados o tempo todo o que pode romper com os limites de contato, e-mails e demandas de trabalho chegam a qualquer hora do dia, temos acesso a eles de casa, da rua e fora do horário do trabalho; Com o uso exacerbado dos meios de comunicação e tecnologia muitas pessoas estão dando maior vazão para que os problemas profissionais invadam suas vidas pessoais assim como o contrário, parecendo difícil delimitar isso, já que separar o ambiente físico se torna muito mais fácil do que o virtual, e consequentemente essa mistura interfere diretamente em nosso comportamento.

Estamos nos condicionando a responder e esperar respostas imediatas, nos tornando em geral pessoas mais “ansiosas”, que querem tudo para ontem e as facilidades virtuais nos colocam nessa condição, podendo deste modo se tornar o tal complicador. Seguimos uma tendência imposta por nós mesmos, a rotatividade de informações, ações, comunicações, conexões que parecem forçar nossa máquina “cérebro” a seguir o mesmo ritmo, só que às vezes isso pode dar um bug e aí, é necessário parar o sistema para reprogramá-lo.

Levando em conta que a única diferença entre o remédio e o veneno é a dose, pode-se concluir que nenhum excesso é saudável, por mais que algo tenha seus benefícios esses podem se tornar nocivos de uma hora para outra e as vantagens e desvantagens do imediatismo na internet caminham juntas, é necessário encontrar o equilíbrio entre necessidade e dependência, entre querer tudo ao seu tempo e para ontem, entre estar o tempo todo conectado com tudo ou dividir esse tempo se conectando um pouco a você.

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Quando o Home Broker “broke” o Broker – A Internet e suas “nocivas” utilidades

Atualmente a internet nos conecta a tudo e está presente na vida da maioria das pessoas, o dia todo, por horas seguidas, seja por celular, computador, notebook, tablete e, até mesmo, televisão; o que faz com que as pessoas considerem rotineiro e normal o seu uso, contudo são tantos os atrativos e facilidades que ela dispõe, que a distinção entre o uso normal e abusivo (ou patológico) se torna, de certa forma, limítrofe.

Hoje, se pararmos para analisar somos todos dependentes da internet e de suas facilidades, e se não nos adaptarmos ficaremos para trás; e como ninguém quer ficar ultrapassado, estão todos se conectando e transferindo, cada vez mais, o real para o virtual. Já que os prazeres reais também estão no mundo virtual, assim como o trabalho, as aulas, o bate papo com os amigos, os shoppings, os restaurantes e isso faz com que as pessoas busquem cada vez mais por alternativas online para resolverem seus problemas e satisfazerem seus desejos e necessidades, de forma aparentemente mágica, considerando a velocidade em que tudo ocorre.

Sendo assim, a questão está neste ponto limítrofe entre conseguir distinguir o uso considerado normal (que depende) do abusivo (patológico), que promove um comportamento compulsivo e acaba de forma sincronizada e crônica interferindo na rotina de vida “real” e saudável do sujeito, que pode, por meio do leque de opções oferecidos pela internet, experimentar sensações de prazer e satisfações imediatas, por intermédio de jogos, vídeos, redes sociais (entre outros) que o farão repetir inúmeras vezes tais comportamentos, até chegar ao ponto de não conseguir mais alcançar os mesmos níveis satisfatórios do começo, precisando aumentar cada vez mais as “doses” e chegando ao que comumente chamamos de vício.

Para quem acha absurdo, bobagem, frescura, afirmo que podemos nos tornar usuários compulsivos da internet, dos jogos, das redes sociais e de milhares de aplicativos e utilidades que a rede nos dispõe, assim como podemos nos “viciar” em coisas mais concretas como substâncias psicoativas, sexo,  jogos de azar, comida; pois se tornar dependente de algo envolve uma série de fatores como, por exemplo, pré-disposição genética, conflitos emocionais, disfunções neurológicas e questões sociais, e o indivíduo como parte desse todo, pode sim, se sentir dependente de qualquer coisa que seja capaz de lhe proporcionar sensações de bem-estar e prazer ou que apenas diminua desconfortos, como maneira de suprir (ou equilibrar) partes dessa soma que, às vezes, podem não se encaixar.

A internet possui muitas facilidades, seu uso de forma saudável pode ser muito proveitoso, contudo, por intermédio dela ocorreu um “boom” no número de possíveis alternativas de fuga ou apenas distração que podem nos tornar, de alguma forma, subordinados à ela; e cabe citar uma modalidade não tão conhecida, mas que é capaz, tanto quanto qualquer outra forma de compulsão e dependência, de interferir nocivamente na vida do indivíduo; que são as dos chamados “viciados em home Broker”; pessoas que começam a investir na bolsa de valores, e acabam caindo em algo muito similar a uma compulsão e dependência por jogos, inclusive, muitas vezes enxergam os investimentos como um jogo e as perdas e ganhos como momentos de azar ou sorte, e não conseguem parar, estão 24h conectados as notícias de economia do mundo, pensando sobre as ações, perdendo dinheiro e tentando recuperá-lo, muitas vezes a custo da própria saúde.

Interessante observar que nos casos mais abusivos, ou graves, as pessoas deixam de lado necessidades básicas como comer, dormir, tomar banho, ir ao banheiro, pois aparentemente a necessidade de não “perder a vida no jogo virtual” se torna mais importante do que manter a vida no jogo real.  Por isso é importante ressaltar que tais casos são sérios, precisam de um olhar, uma ajuda, pois quando os usos passam de sociais para abusivos, suas consequências podem ser devastadoras.

 

Camila Ferro

Psicóloga – CRP:06/106310

 

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Quando o traje não condiz com a ocasião

Você tem um evento importante, do qual não quer participar mas tem que ir, passa dias pensando no que vestir, se sente angustiado por não saber o que escolher, então chega o grande dia e você enfim se arruma, cria coragem e vai, mas quando chega ao local percebe não ter feito a melhor escolha para a ocasião e se sente um peixe fora d´água, porque acha que o vestido não é muito discreto e não a deixa à vontade, ou que a gravata chama mais atenção do que a camisa, o sapato aperta e o salto está muito alto, “meu Deus”, impossível sentir os pés; e então, você não aproveita o momento, pois só pensa em ir embora, para poder tirar tudo aquilo que está incomodando e enfim voltar a se sentir à vontade consigo mesmo.

Isso já aconteceu com você? Já se sentiu angustiado por achar que a roupa não combinava com a ocasião, ou que a ocasião não combinava com você? Te fazendo se sentir fora de seu habitat natural, desconfortável, como se, naquele momento, toda a atenção do mundo estivesse voltada a sua pessoa e você só quisesse fugir para vestir um pijama?

É, parece ser uma tortura ter que vestir algo que não nos deixa à vontade, ainda mais quando se trata de uma imposição social, imagina então, como deve ser quando precisamos tirar mais do que as roupas para nos sentirmos bem.

Já parou para pensar como seria viver nesse desconforto de ter que estar sempre vestido de acordo com o que os outros esperam? De como deve ser a vida de meninos e meninas que se sentem obrigados a se vestiram de meninas e meninos, sempre com vestidos apertados e gravatas sufocantes? E tudo porque, ainda temos uma sociedade incapaz de entender e ao menos respeitar e aceitar, que XX e XY não é matemática e que na verdade somos a soma complexa do bio(lógico), psico(lógico) e social.

Tomboy (filme de 2011 que aborda a questão de identidade de gênero), retrata a história de uma menina de 10 anos que consegue sentir, pela primeira vez, a liberdade de se despir e poder usar “pijamas”, de ser aceita, e de se sentir bem e feliz assim; o que é interrompido ao ressurgir, depois de ser descoberta sua identidade física, a imposição social do ter que se vestir de acordo com a ocasião. O que pode causar grande sofrimento e danos psicológicos àqueles que não conseguem usar a roupa que gostariam.

Mas, e você? Se sente feliz com as roupas da moda e consegue deixar ser feliz quem prefere usar as que estão fora dela?

Camila Ferro

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Pense nisso!!!

Para ser um bom profissional aos olhos do outro, seja primeiro um bom profissional ao que você vê e respeite a ética da sua profissão! De nada adiantará ter princípios e valores se só os seguimos e colocamos em prática quando há plateia.

 

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“Nós poderíamos ser muito melhores, se não quiséssemos ser tão bons” 

Sigmund Freud

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