A saúde física se conecta ao bem-estar psíquico

Profissional : Camila Ferro
  CRP : 06/106310

Mais amor, menos açúcar!

Sexta-Feira dia de pizza, sábado pastel, domingo almoço em família, geralmente uma massa ou um churrasco com bastante gordura, de sobremesa um pudim ou sorvete com chocolate, no intervalo tem o aniversário da priminha recheado de doces e frituras, aí vem as festividades de final de ano, dia das mães, festa junina, dia dos pais, dias das crianças, feriados no sítio, passeios no parque e cinema com pipoca, fast food e mais sorvete e chocolate, fora as outras milhares de festas de aniversário e comemorações diversas que surgem durante os 365 dias de cada ano.

Sim, temos a cultura de (comer)morarmos datas e apreciarmos ocasiões sempre com o acompanhamento de algum prato que combine e, deste modo, algumas crianças passam a associar bons momentos ao prazer de comer ou o contrário, porque nem sempre almoçar naquele tio é agradável, o que também pode ser compensado por esse meio de satisfação; e concordamos que é até bonitinho, aos pequenos, serem gordinhos e chega a ser gostoso vê-los se sujando por inteiro ao saborear um chocolate, mas ao apresentá-los a esse mundo doce, podemos, na verdade, os estar condenando.

Sabemos que a obesidade, de um modo geral, tem várias causas e pode estar associada a questões genéticas, fisiológicas, psicológicas, hormonais, sociais e que embora não seja considerada um transtorno mental, é sim uma doença que pode inclusive levar e/ou agravar outras doenças. Contudo, quando se fala em obesidade infantil o assunto torna-se ainda mais complicado, pois a criança, embora esteja muito mais precoce em termos de desenvolvimento, não tem maturidade para tomar as próprias decisões, fazendo com que os adultos sejam responsáveis por orientá-las e auxiliá-las, naquilo que pode ser considerado o mais adequado.

Deste modo, também somos exemplo, pois a criança pode ser influenciada pela alimentação da mãe desde a gestação e após nascer suas referências se tornam seus modelos, então não adianta colocarmos as crianças em dietas, restringindo-as de certos alimentos, se o pai só come bacon com batata frita e a mãe é viciada em sorvete com calda de chocolate. É necessário educá-la e não simplesmente proibi-la, pois restrições rigorosas podem promover comportamentos compulsivos ou episódios abusivos, assim como compensações; trocar a falta de atenção e tempo junto ao filho por lanches e doces, pode até preencher o estômago dele, mas nunca seus afetos; porém ele não sabe disso e, muitas vezes, correrá o risco de continuar comendo na tentativa de preenchê-los.

Muitas questões podem ser pensadas sobre o assunto, mas quando se trata de crianças o foco deve, de fato, estar nas pessoas que a cercam, um trabalho conjunto (família) e multidisciplinar (profissionais) pode ser fundamental, principalmente, em relação à crianças que já apresentam um quadro de sobrepeso, pois enquanto não estivermos com elas, enquanto acharmos bonito, enquanto não pensarmos no futuro delas, sem fantasiar que na adolescência irão crescer e isso irá mudar naturalmente; continuaremos formando crianças obesas, nível I, II, III, que se não forem cuidadas terão um complicado caminho até a fase adulta, se de fato, chegarem até lá, já que a obesidade é a segunda principal causa de mortes no mundo.

Amor não é açúcar, quem ama cuida, educa, e apesar de difícil diz não. Hoje, pode ser que eles não entendam, mas um dia irão agradecer!

 

03/06 – Dia da Conscientização Contra a Obesidade Mórbida Infantil

 

*Imagem ilustrativa do filme A Fantástica Fábrica de Chocolates 2005, personagem Augustus Gloop

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One Comment
  1. Responder
    Ana

    Perfeito! Só quem passa pela obesidade, pelos deboches, falta de amigos na primeira infancia sabe o horror que é ser gordo em um mundo tao cruel com o diferente.

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