A saúde física se conecta ao bem-estar psíquico

Profissional : Camila Ferro
  CRP : 06/106310

Quando o Home Broker “broke” o Broker – A Internet e suas “nocivas” utilidades

Atualmente a internet nos conecta a tudo e está presente na vida da maioria das pessoas, o dia todo, por horas seguidas, seja por celular, computador, notebook, tablete e, até mesmo, televisão; o que faz com que as pessoas considerem rotineiro e normal o seu uso, contudo são tantos os atrativos e facilidades que ela dispõe, que a distinção entre o uso normal e abusivo (ou patológico) se torna, de certa forma, limítrofe.

Hoje, se pararmos para analisar somos todos dependentes da internet e de suas facilidades, e se não nos adaptarmos ficaremos para trás; e como ninguém quer ficar ultrapassado, estão todos se conectando e transferindo, cada vez mais, o real para o virtual. Já que os prazeres reais também estão no mundo virtual, assim como o trabalho, as aulas, o bate papo com os amigos, os shoppings, os restaurantes e isso faz com que as pessoas busquem cada vez mais por alternativas online para resolverem seus problemas e satisfazerem seus desejos e necessidades, de forma aparentemente mágica, considerando a velocidade em que tudo ocorre.

Sendo assim, a questão está neste ponto limítrofe entre conseguir distinguir o uso considerado normal (que depende) do abusivo (patológico), que promove um comportamento compulsivo e acaba de forma sincronizada e crônica interferindo na rotina de vida “real” e saudável do sujeito, que pode, por meio do leque de opções oferecidos pela internet, experimentar sensações de prazer e satisfações imediatas, por intermédio de jogos, vídeos, redes sociais (entre outros) que o farão repetir inúmeras vezes tais comportamentos, até chegar ao ponto de não conseguir mais alcançar os mesmos níveis satisfatórios do começo, precisando aumentar cada vez mais as “doses” e chegando ao que comumente chamamos de vício.

Para quem acha absurdo, bobagem, frescura, afirmo que podemos nos tornar usuários compulsivos da internet, dos jogos, das redes sociais e de milhares de aplicativos e utilidades que a rede nos dispõe, assim como podemos nos “viciar” em coisas mais concretas como substâncias psicoativas, sexo,  jogos de azar, comida; pois se tornar dependente de algo envolve uma série de fatores como, por exemplo, pré-disposição genética, conflitos emocionais, disfunções neurológicas e questões sociais, e o indivíduo como parte desse todo, pode sim, se sentir dependente de qualquer coisa que seja capaz de lhe proporcionar sensações de bem-estar e prazer ou que apenas diminua desconfortos, como maneira de suprir (ou equilibrar) partes dessa soma que, às vezes, podem não se encaixar.

A internet possui muitas facilidades, seu uso de forma saudável pode ser muito proveitoso, contudo, por intermédio dela ocorreu um “boom” no número de possíveis alternativas de fuga ou apenas distração que podem nos tornar, de alguma forma, subordinados à ela; e cabe citar uma modalidade não tão conhecida, mas que é capaz, tanto quanto qualquer outra forma de compulsão e dependência, de interferir nocivamente na vida do indivíduo; que são as dos chamados “viciados em home Broker”; pessoas que começam a investir na bolsa de valores, e acabam caindo em algo muito similar a uma compulsão e dependência por jogos, inclusive, muitas vezes enxergam os investimentos como um jogo e as perdas e ganhos como momentos de azar ou sorte, e não conseguem parar, estão 24h conectados as notícias de economia do mundo, pensando sobre as ações, perdendo dinheiro e tentando recuperá-lo, muitas vezes a custo da própria saúde.

Interessante observar que nos casos mais abusivos, ou graves, as pessoas deixam de lado necessidades básicas como comer, dormir, tomar banho, ir ao banheiro, pois aparentemente a necessidade de não “perder a vida no jogo virtual” se torna mais importante do que manter a vida no jogo real.  Por isso é importante ressaltar que tais casos são sérios, precisam de um olhar, uma ajuda, pois quando os usos passam de sociais para abusivos, suas consequências podem ser devastadoras.

 

Camila Ferro

Psicóloga – CRP:06/106310

 

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